Seu espaço de escuta
Lugar
do dizer
Não é o ser que fala a linguagem; é a linguagem que fala o ser. É no exercício de expressar-se que o ser se descobre e se constrói.
(de Heidegger em “Carta sobre o humanismo”)
Cláudia Paschoal - Psicanalista
Quando se expressa, o ser se descobre em sua essência.
Dedicamo-nos a ajudar você a expressar o seu eu.
Não é a psicanálise que esclarece a arte; é a arte que esclarece a psicanálise.
(De Jacques Lacan em
O Seminário 11)
Na canção, no poema ou na prosa, o eu-lírico não se confunde com o autor; ele é uma persona construída a quem o autor dá voz; é uma instância textual, uma construção simbólica.
Analisar o eu-lírico (e não o autor) é um exercício poderoso, porque ele é sempre um afeto manifestado em linguagem.
Como todos nós, o eu-lírico é sempre um eu dividido, atravessado pelo desejo e em conflito com seu inconsciente que aproveita brechas no seu discurso para expressar o que o consciente tenta reprimir.
“Descobrir o outro é descobrir-se a si mesmo”
(José Saramago, entrevista ao Clarin, Buenos Aires, 1994).
Atividades de criação, em que você é orientado a contar histórias e criar personas. Com orientação profissional e encontros on-line, você é instado a encontrar-se com sua própria criação.
No exercício de criar e compreender eu-líricos, como fazem os poetas, você descobre-se dialogando com você mesmo no encontro com o outro; potencializa assim maiores habilidades sociais e de autoconhecimento.
Clínica psicanalítica
“A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la – e como não acho. Mas é do buscar e do não achar que nasce o que eu não conhecia”
(Clarisse Lispector em
A Paixão segundo G.H.)
Aprender a ouvir o que vem do inconsciente é dar voz a si mesmo, é ouvir os reclamos que ele faz a quem mais se pode ajudar. O inconsciente estrutura-se como linguagem, e por isso o encontro da linguística com a psicanálise é um canal tão eficaz para ouvir o que ele tem a dizer.
De acordo com Freud, o poder da psicanálise está em permitir ao sujeito assumir o protagonismo dos conflitos que causam suas angústias.
Novidades
A obra Porque somos verbo, de Gilberto Vitor, apresenta uma coletânea de contos e crônicas que funde a literatura clássica com as problemáticas da sociedade contemporânea. Com prosa sensível e elegante, o autor reúne 35 narrativas curtas, mas intensas, que exploram conflitos, afetos e dilemas contemporâneos sob o olhar de quem conhece profundamente a força da palavra. Cada conto é um exercício de escuta e de olhar: neles, o drama e a beleza do viver se misturam a humor, melancolia e reflexões. Em textos como “Amor (im)próprio” e “Quem me engana”, o eu-lírico é ofertado de modo tal que o leitor projete nele sua própria experiência – não há sequer gênero definido, apenas humanidade possível. Por sua vez, “Um amor na gaiola”, “Amor temporal” e “Para conjugar o verbo querer-te” revisitam os desencontros entre o amor e o desejo, enquanto “A luz da sibila Cassandra” resgata uma lição antiga para a atualidade da era de fake news. Em “Ovelha desgarrada”, um sensível conto histórico nos traz o enigmático Gregório de Matos e uma reflexão sobre o perdão.
Em última análise, a produção de Gilberto Vitor convida o leitor a experimentar a palavra não apenas como dado informativo ou semântico, mas ainda como uma experiência estética renovável.
Sobre o autor:
Gilberto Vitor é escritor brasileiro, com trajetória marcada pelo interesse em linguagem, subjetividade e experiência humana, articulando reflexões filosóficas e sensibilidade literária. Sua escrita combina rigor estético e intensidade emocional, aproximando-se da tradição de autores que exploram a complexidade do sujeito e das relações. Ele entende a literatura como espaço de encontro – conceito que sintetiza ao afirmar que o verbo “nasce comunicação, mas, na poesia, se faz comunhão”.
